19.2.17

melodias

Surges em cada nota que escrevo – não te pensasse eu, todos os dias – e em cada harmonia da guitarra que toco nas noites frias em que não estás. Das tuas palavras surge a canção que me embala, e é ao som das mais belas melodias que sonho em consumir-te da mesma forma doentia com que me consome o fumo do tabaco. Não sei de que é feita a chama que em mim acendeste, se de amor, se de desejo; de qualquer forma, que seja esse fogo capaz de incendiar em ti a vontade do meu corpo. Sacias-me a fome – nem sei como, nem sabes como – e é cada vez mais intensa a forma com que te anseio. Que sejamos um só, tal como o é a música que escolho como única companhia enquanto aguardo pela tua chegada – passo após passo, som após som. E que chegues a chegar, orquestrando os batimentos descompassados de um coração que só não te quer mais porque ainda não sabe o quanto te quer – mas que é teu, tão teu. Toda eu sou tua, somente tua; inteira, inevitável e irremediavelmente tua. A ti pertenço, no mais pleno sentido da palavra. Quem sabe – talvez um dia, também a mim pertenças: só por uma noite, só por agora, ou só para sempre. E, no entretanto, aqui ficaremos: eu, a musicalidade da chuva que bate nas vidraças e uma vontade eterna de esperar por ti, meu amor.

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